domingo, 25 de maio de 2014

Recursos na CAA

Os recursos são os objetos ou equipamentos utilizados para transmitir as mensagens. Eles permitem ao aluno com TEA um grande apoio que facilita o seu desenvolvimento, principalmente na comunicação.

RECURSOS DE BAIXA TECNOLOGIA



Pranchas de comunicação 
 As pranchas de comunicação podem ser construídas utilizando-se objetos ou símbolos, letras, sílabas, palavras, frases ou números. As pranchas são personalizadas e devem considerar as possibilidades cognitivas, visuais e motoras de seu usuário.
Essas pranchas podem estar soltas ou agrupadas em álbuns ou cadernos. O indivíduo vai olhar, apontar ou ter a informação apontada pelo parceiro de comunicação dependendo de sua condição motora.

                                     
Eye-gaze 
Pranchas de apontar com os olhos que podem ser dispostas sobre a mesa ou apoiada em um suporte de acrílico ou plástico colocado na vertical. O indivíduo também pode apontar com o auxílio de uma lanterna com foco convergente, fixada ao lado de sua cabeça, iluminando a resposta desejada.

                                   

Avental 
É um avental confeccionado em tecido que facilita a fixação de símbolos ou letras com velcro, que é utilizado pelo parceiro. No seu avental o parceiro de comunicação prende as letras ou as palavras e a criança responde através do olhar.

                           

                                 Comunicador em forma de relógio

O comunicador é um recurso que possibilita o indivíduo dar sua resposta com autonomia, mesmo quando ele apresenta uma dificuldade motora severa. Seu princípio é semelhante ao do relógio, só que é a pessoa que comanda o movimento do ponteiro apertando um acionador .

                                    Fonte:http://www.comunicacaoalternativa.com.br/recursos-na-caa

DMU Deficiências Múltiplas e surdocegueira

Os métodos de ensino têm mudado com o tempo, isto porque novos problemas foram levantados.
Foram observados 3 (três) aspectos mais importantes:
1.                 Desenvolvimento motor.
2.                 Observação do comportamento e personalidade da criança.
3.                 Diagnóstico precoce.
Observamos também que são visíveis as limitações da atividade motora em crianças surdocegas.
As funções motoras são mal desenvolvidas e se gastam muitas energias nos movimentos estereotipados do corpo. Se a criança não foi estimulada, ela vai ficar se balançando ou olhando fixo para uma determinada luz durante horas; e sabemos que a atividade sensorial-motora dá a base para o desenvolvimento de imagem e conceitos. Enquanto a criança está ocupada com a estimulação de seu próprio corpo, terá pouca experiência espacial, não vai experenciar os objetos na sua qualidade real, apenas como uma extensão de seu próprio corpo. Se a criança ficar muito tempo parada, pouco se desenvolverá porque somente se movimentando pelo e através do espaço, os conceitos de Tempo e Distância se estabelecerão.
A proposta da educação é “desenvolver” as imagens da criança, formar mentalmente, simbolizar conceitos e comunicação. Isto, no entanto, só é possível quando a criança tem uma base sólida de experiência motora.
Mostraremos e discutiremos como a atividade motora pode ser usada como um meio favorável para a comunicação.


A – Antecipação
Quando se faz uma série de movimentos com a criança e o modelo é repetido eventualmente, a criança vai levantar seus pés quando tiver que subir uma escada. Estas antecipações são muito importantes porque são movimentos que a criança faz quando envolvida ao ambiente externo. Este é também um movimento oportuno para desenvolver um sinal de acordo com a atividade, por exemplo: batendo de leve no joelho da criança, indicando que é para subir.

B – Imitação

Um comportamento imitativo pode ser desenvolvido através de uma criatividade motora. A psicologia da aprendizagem e pesquisas mostram a importância da imitação para o desenvolvimento da linguagem. É um trabalho estimulante se feito co-ativamente (professora-criança, mãe-criança, etc.).

C – Memória
O maior problema na educação de crianças surdocegas é a sua curta duração da memória. Esta pode ser ajudada por atividades na qual a ordem dos movimentos é crucial. Não se pode exigir que a criança lembre a seqüência dos padrões motores que estão sendo treinados.

D – Ritmo
Muita pesquisa se tem feito no ritmo para memorizar ordens. É aliado com a audição e condição de percepção de ordens (seqüência).
Ritmo não é somente um desenvolvimento importante para linguagem. É também uma parte de nosso plano de comportamento, como será tratado na parte três desta introdução. Um conhecimento pobre do corpo é geralmente a base de problemas severos de comunicação. Inicialmente ensaiamos as nossas crianças a fazer sinais arbitrários, tais como a batida no braço ou, na mão. Isto se dá repetidamente e a criança começa a confundir estes sinais depois de terem aprendido uma vez. Isto não era o caso, no entanto quando os sinais eram similares ao objeto que representava. Por exemplo: quando a criança pede que a coloque para balançar e o sinal arbitrário de “B” do alfabeto manual for feito, a criança não se lembrará disto. Ao contrário, quando a criança imitou o movimento de balançar com suas mãos ou com seu corpo, mostrou que ela se lembrou do sinal mais claramente. Nós temos aqui uma indicação o gesto natural é parte do símbolo consciente (percepção).
Na criança, cujo estágio de gesto natural foi deixado de lado é obvio que sua aquisição de linguagem faltou na parte essencial. Deve ser dito que para algumas crianças levou mais tempo que dois ou três anos antes delas alcançarem seu estágio de gesto natural, mas depois que este estágio de gosto natural foi alcançado, a linguagem se desenvolve rapidamente. Então, temos o problema de qual método de comunicação usar, porque depois de 30 ou 40 gestos naturais. Faz-se necessário ampliar a comunicação num sistema mais refinado. È lógico mudar de gesto natural para um sistema não formal de língua de sinais para surdos. Com poucas crianças esta direção foi escolhida, mas tão logo os sinais começaram a ficar muito complicados, a criança experenciou grande dificuldade porque muitos sinais formais requerem um desenvolvimento da imagem corporal e uma boa memória para uma série de movimentos. Como foram declaradas antes, estas são as duas áreas mais pobremente desenvolvidas na criança surdocega.
Surpreendentemente, o alfabeto manual pode ser usado com as crianças que tem problemas motores. Aliás, este sistema requer pouca coordenação motora.

O alfabeto manual pode ser desenvolvido de dois modos: Se a criança tiver resíduo visual, ensine antes as palavras escritas e depois os movimentos da mão, mas é preferível soletrar a palavra completa como um “gestalt motor” na mão da criança surdocega.
Inicialmente a criança imita os padrões de modo geral; mais tarde o padrão se tornará mais refinado e exato. Deste modo, a criança aprende a reconhecer os padrões (módulo) da palavra inteira, como também as letras.
Se a criança é capaz de perceber letras soltas, estas percepções da palavra são lentas e desarticuladas, isto é, uma influência negativa, pois leva a usar pouco a memória. O alfabeto manual parece um sistema de comunicação abstrato, mas há um certo numero de crianças com déficit intelectual que tem habilidade de desenvolver comunicação por este sistema.
Quando estudamos a historia da educação do surdocego, vemos que tradicionalmente a criança foi educada de acordo com o princípio de aprendizagem associativa, que é comparar a palavra falada, escrita ou soletrada com o objeto. Desde o começo do nosso trabalho com crianças surdocegas, temos tentado educar a criança com atividade comunicativa. Isto quer dizer, ensina-se a criança a perguntar por coisas e se interessar por coisas ao seu redor. Em outras palavras, ela é encorajada a emitir os sinais para o mundo e será reforçado quando o ambiente responde. Quando a palavra ou frase representa sentimento ou intenções, ela lembrará dela e a usará corretamente em situações adequadas.
No entanto, o problema é que pouquíssimas crianças respondem espontaneamente ao ambiente. Mesmo surdos com outros problemas, como visão reduzida ou outro problema não demonstrado, sentem, também, muita dificuldade para responder ao ambiente como sentem os surdocegos. Este é o problema do contato com o ambiente que é um obstáculo na educação das crianças surdocegas.

             In PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DO SURDOCEGO(Por Jan Van Dijk)